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João Penha ― Echos do Passado

Echos do Passado (versos) / Colombina (conto)
 
Porto: Companhia Portuguesa Editora, 1914. In-8º de 176 págs. Br.
 
Primeira edição, com prefácio e notas finais do autor – estas, o mais interessante do livro, em invectiva contra a primeira legislação de normalização ortográfica promovida por Cândido de Figueiredo, de que vários argumentos até agora, um século depois e em pleno período «experimental» do novo «acordo», se pode recuperar (são  à frente reproduzidos excertos  mais pitorescos  na ortografia original, com certeza; também se mantém alguma deficiente pontuação, sugerindo que a Penha terá preocupado muito a ortografia e bem menos a sintaxe). À recolha de versos inéditos acresce o curioso conto «Colombina», escrito em 1905 mas só então publicado.
 
Exemplar em bom estado, salvo certo desgaste da capa.
 
15€

 
"uma [língua], a etymologica, aquella em que Herculano, Garrett, Castilho, Rebelo da Silva, Latino Coelho, Camillo, e muitos escriptores do seculo passado escreveram os seus livros; e outra, a phonetica, a official, aquella em que, desde ha muito, as nossas costureiras escreviam as suas cartas de namôro"

"E então, tudo caminha, tudo progride, e só as linguas deverão estar estacionarias? Não; poderão ser enriquecidas com vocabulos novos, poderão até ser modificadas, contanto que se não alterem nos seus principios fundamentaes, no genio proprio da lingua, e se lhes não altere o aspecto artistico, transformando-o n'uma cousa grotesca, que faça rir, e que, por vezes represente um enygma para o vulgar dos leitores"

"Um bibliophilo que, movido por natural curiosidade, se abalançasse a ler as primeiras paginas d'um livro escripto com essa tal [nova] orthographia, veria com hilariante (ilariante) surprêsa, passar-lhe diante dos olhos uma procissão de figuras extravagantes, em que só com muito custo reconheceria as antigas palavras dos seus livros, dos livros dos mestres: umas, decapitadas; outras, de refeitas que eram, esqueléticas; outras, sem ornatos, como que nuas, ou em camisa; outras, estripadas, de ventres reentrantes; e outras, enfim, transformadas em verdadeiros hieroglyphos"

"o ómen português é um homem sem cabeça"
[aqui, a piada tanto poderá estar na supressão do «h» como, por antífrase, na passagem efectiva de «portuguez» a «português», sendo a cabeça o circunflexo]