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11 de julho de 2016

Boavida Portugal — Inquérito Literário

Inquérito Literário (I. Depoimentos dos senhores: Dr. Julio de Matos – H. Lopes de Mendonça – Teixeira de Pascoais – Dr. Augusto de Castro – Gomes Leal – João Grave – Gonçalves Viana – Dr. F. Adolfo Coelho – Dr. Veiga Simões – Julio Brandão – Visc. de Vila Moura – Malheiro Dias – etc. II. Réplicas de outros escritores. III. Comentários da imprensa.)

Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1915. In-8º de 368 págs. Enc.

Primeira edição em volume, impressa em bom papel de linho, dada a lume três anos depois da publicação faseada no «República» e acrescentada de depoimentos posteriores e de uma resenha dos comentários e críticas entretanto saídos na imprensa. Reproduz a espécie de prefácio «Sinfonia de Abertura», do próprio Boavida Portugal, em que se começava por ler que “Apesar de nos jornais não ser muito habitual tratarem-se largamente assuntos literários, com muita fé, muita tolerancia e muito trabalho, podemos agora dar ao publico este repasto intelectual, que imaginamos da sua utilidade. Não que esses assuntos não sejam simpaticos; mas porque os intelectuais são pessoas mais de apreciar quando precisam dos jornais do que quando estes precisam dêles.” Celebrizado, de início, pelas várias polémicas a que deu azo – desde as já pouco mansas entre saudosistas e detractores como Júlio de Matos e Adolfo Coelho, até à ferocíssima estalada entre Júlio Brandão e Pascoaes (à deselegância insultuosa e aparentemente gratuita, se não havia estorieta prévia, do primeiro respondeu o segundo com uma violência que lhe nunca tinha sido vista); todas aqui apresentadas através da transcrição das muitas cartas enviadas aos jornais e por estes publicadas –, o «Inqu
érito» viria mais tarde a ser destacado pela longa (aqui de 13 páginas) réplica, também a Adolfo Coelho, de Fernando Pessoa (à época, ainda um obscuro colaborador d'A Águia), em que este fazia a defesa da «Renascença Portuguesa» e, disfarçadamente en passant, da sua auto-centrada teoria/profecia do Super-Camões, tendo, ou fingindo ter, o d'Os Lusiadas como “verdadeiramente grande, mas longe de ser um Dante ou um Shakespeare”.

Exemplar bem encadernado com cantos e lombada em pele (que no entanto já está a puir), conservando a capa de origem.


(40€)